As coligações partidárias fechadas para a eleição presidencial de 2026 determinam quanto tempo cada candidato terá na propaganda gratuita de rádio e TV. A regra beneficia diretamente Lula e Flávio Bolsonaro, que lideram as duas principais frentes nacionais. O calendário oficial de campanha ainda não começou, mas a divisão de recursos e espaço de mídia já está desenhada.
Segundo reportagem do G1, a quantidade de minutos no horário eleitoral é calculada com base no tamanho das bancadas que cada aliança reúne no Congresso. Partidos que integram a federação ou a coligação somam seus tempos, o que amplia a exposição dos cabeças de chapa. A mecânica privilegia quem consegue agregar mais legendas antes do prazo final de registro.
Além do tempo de antena, as alianças definem o acesso ao fundo eleitoral e ao fundo partidário, recursos que financiam materiais de campanha, viagens e estrutura de gabinete. Candidatos a governador, senador e deputado que estão nos mesmos palanques nacionais também herdam parte dessa estrutura. Em Goiás, pré-candidatos ao Planalto e ao Senado já articulam apoios locais mirando esse efeito cascata.
A legislação eleitoral proíbe propaganda antecipada, mas permite atos de pré-campanha e eventos partidários. Nesse período, a visibilidade na TV e no rádio passa a ser o principal ativo para testar mensagens e medir rejeição. Quem tem mais tempo consegue repetir slogans e propostas com frequência maior, o que historicamente correlaciona com intenção de voto nas pesquisas.
O Tribunal Superior Eleitoral deve publicar a tabela oficial de distribuição nos próximos meses, após o encerramento das convenções partidárias. Até lá, as negociações de bastidor continuam e podem alterar o mapa de tempo de cada coligação. A definição final sai apenas com o registro das candidaturas, em agosto de 2026.
Entender a engenharia das coligações ajuda o eleitor a ler além dos discursos e perceber quais forças políticas realmente sustentam cada projeto de poder.