O governo da Albânia aprovou o pagamento de quatro milhões de euros (R$ 23,6 milhões) para um show de Kanye West em Tirana, mas o evento foi cancelado por baixa procura. A decisão gerou críticas internas em um país com infraestrutura limitada e desafios econômicos, levantando debates sobre o uso de recursos públicos em cultura.
O show, programado para ocorrer em uma estrutura temporária fora da capital, tinha como meta atrair 60 mil pessoas, mas as vendas de ingressos ficaram muito abaixo do esperado. A estrutura construída para o evento permanece inutilizada, e o governo ainda não informou se haverá ressarcimento dos valores gastos ou plano para reaproveitamento da estrutura.
Segundo o G1, a polêmica se intensificou porque a Albânia enfrenta problemas crônicos de investimento em saúde, educação e transporte público. Críticos apontam que o valor gasto poderia financiar centenas de projetos culturais locais ou melhorar serviços essenciais em regiões mais pobres do país.
No Brasil, especialmente no Centro-Oeste, a realidade é oposta: cidades como Goiânia e Goiânia frequentemente precisam de parcerias privadas ou recursos estaduais para manter eventos culturais básicos. Festivais gratuitos, mostras de cinema e apresentações de música regional sofrem com cortes orçamentários e falta de incentivo público.
A comparação entre os dois contextos revela uma disparidade alarmante: enquanto a Albânia investe milhões em um artista global com baixa adesão, municípios goianos priorizam a cultura de forma mais humilde — e, muitas vezes, sem recursos suficientes. Isso põe em questão modelos de financiamento cultural que priorizam celebridades internacionais em vez de demandas locais.
A polêmica na Albânia serve como alerta sobre o risco de desviar recursos públicos para eventos de baixo impacto social. No Centro-Oeste, a necessidade é urgente: cultura acessível precisa de investimento inteligente, não de gastos simbólicos.