Uma adolescente de 16 anos foi diagnosticada erroneamente com transtorno de personalidade antissocial aos 14 anos em uma unidade básica de saúde de Maceió. A mãe denuncia que o atendimento foi feito por psiquiatra sem especialização na área. Nova avaliação médica revisou o diagnóstico para transtorno do espectro autista.
O caso veio a público após a mãe da jovem relatar que o primeiro diagnóstico foi dado em consulta única, sem histórico prévio ou exames complementares. A família afirma que o profissional não possuía título de especialista em psiquiatria da infância e adolescência. A denúncia expõe a fragilidade do atendimento especializado na atenção básica.
Segundo reportagem do G1, a revisão diagnóstica ocorreu após a mãe buscar segunda opinião em serviço especializado. O novo laudo identificou transtorno do espectro autista, condição que exige abordagem terapêutica distinta. O erro pode ter atrasado intervenções adequadas para o desenvolvimento da adolescente.
O transtorno de personalidade antissocial, classificado como CID-10 F60.2, raramente é diagnosticado na adolescência por exigir padrão de comportamento consolidado. Especialistas ouvidos pela imprensa alertam que a aplicação desse rótulo em menores pode causar estigma e direcionamento incorreto de cuidados. A confusão com traços do espectro autista é reconhecida na literatura médica quando a avaliação é superficial.
O episódio reforça a necessidade de protocolos mais rigorosos para encaminhamento a especialistas na rede pública. Pais e responsáveis que recebem diagnósticos graves ou incompatíveis com o histórico do filho têm direito a solicitar reavaliação. A busca por segunda opinião pode evitar consequências irreversíveis no tratamento.
A denúncia expõe falhas na formação e na supervisão de profissionais que atuam na porta de entrada do SUS. O caso serve de alerta para que famílias exijam avaliações completas antes de aceitar diagnósticos que mudam a vida de um adolescente.