Pular para o conteúdo
Publicidade
Goiânia

Acidente de Goiânia de 1987 ainda afeta segurança de fontes

Especialistas apontam que falhas na fiscalização de materiais radioativos podem permitir novos incidentes na região.

R
Redação Biscoitei
23 de julho de 2026, 22:30 2 min de leitura
Compartilhar:
🎧
OUÇA ESTA MATÉRIA

Em setembro de 1987, um sucateiro abriu uma unidade de radioterapia descartada em Goiânia, liberando césio-137 e contaminando dezenas de pessoas, com quatro óbitos confirmados. O caso levou à revisão de protocolos de segurança radiológica no Brasil e no exterior. Hoje, especialistas alertam que lacunas na gestão de fontes radioativas ainda podem permitir acidentes semelhantes.

Naquele mês, o sucateiro encontrou o aparelho em um terreno abandonado, removeu a cápsula de césio-137 e, ao manipulá-la, espalhou a radiação por sua casa e por vizinhos. Três pessoas morreram rapidamente por síndrome aguda de radiação e uma quarta faleceu semanas depois. A contaminação atingiu solo, água e alimentos, exigindo uma grande operação de descontaminação que durou meses.

Segundo reportagem do Google News Goiânia, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) identificam hoje fragilidades como o cadastro incompleto de fontes, a falta de treinamento adequado de trabalhadores e o descarte irregular de equipamentos obsoletos. Essas brechas são apontadas como possíveis portas de entrada para novos acidentes.

Após 1987, normas internacionais foram atualizadas para melhorar o rastreamento e o controle de fontes seladas, mas auditorias recentes mostram que muitos estabelecimentos de saúde e indústria ainda não adotam integralmente os sistemas de inventário eletrônico e inspeções periódicas. Especialistas defendem investimentos em tecnologia de monitoramento e campanhas de conscientização para reduzir o risco humano.

Em Goiânia, hospitais, clínicas de imagem e indústrias utilizam dezenas de fontes radioativas para diagnóstico e tratamento, o que aumenta a necessidade de vigilância local. A proximidade desses pontos com áreas residenciais reforça a importância de fiscalização rigorosa e de planos de emergência atualizados para proteger a população.

Manter a memória do acidente de 1987 viva é essencial para evitar que erros do passado se repitam. Fortalecer o controle e a formação profissional continua sendo a melhor estratégia de prevenção.

Compartilhar: