Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta quinta-feira (30) indicou que 33% dos brasileiros não acreditam que o homem já tenha viajado à Lua. O levantamento, realizado em janeiro, mostra que 58% da população consideram a viagem espacial um fato real e 9% não souberam responder. Os resultados foram divulgados pouco antes do lançamento da missão Artemis 2 da NASA, marcada para 1º de abril.
O estudo, que ouviu eleitores em todo o país, aponta que um em cada três brasileiros duvida da veracidade das missões Apollo, realizadas entre 1969 e 1972. A descrença persiste mesmo com a ampla documentação e evidências científicas disponíveis, como rochas lunares e fotografias. A coincidência com a próxima missão Artemis, que levará astronautas novamente à órbita lunar, trouxe o tema de volta ao debate público.
Conforme apurou o G1, a pesquisa foi realizada entre os dias 23 e 26 de janeiro e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos. Os dados refletem uma tendência global de aumento do ceticismo em relação a fatos científicos estabelecidos, fenômeno muitas vezes amplificado por teorias da conspiração nas redes sociais.
Especialistas em educação científica alertam que a descrença em conquistas históricas como a ida à Lua pode ser um indicador de falhas no ensino de ciências no país. A falta de compreensão sobre o método científico e a propagação de informações falsas contribuem para a formação de uma visão distorcida da realidade. Para o professor de física da UFG, Carlos Eduardo Silva, 'esse percentual preocupante demonstra a necessidade de investirmos em educação desde o ensino fundamental'.
Em Goiás, onde o setor de tecnologia e inovação busca se consolidar, a descrença na ciência pode representar um obstáculo ao desenvolvimento. O estado abriga importantes instituições de pesquisa, como a Universidade Federal de Goiás e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, que dependem de apoio público e da valorização da ciência pela sociedade. Para o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, a pesquisa serve de alerta para reforçar políticas de popularização da ciência em Goiânia e no interior.
Internacionalmente, pesquisas similares nos Estados Unidos também mostram parcela significativa de céticos em relação às missões Apollo, indicando que o fenômeno não é exclusivo do Brasil. No entanto, no país, a combinação de desigualdade educacional e acesso limitado a informações de qualidade agrava o problema. A missão Artemis 2, que deve orbitar a Lua em 2025, pode ser uma oportunidade para reacender o interesse e a confiança na exploração espacial.
A pesquisa do Datafolha reforça a urgência de se investir em educação científica para combater desinformação e preparar o país para os desafios do futuro, especialmente em estados como Goiás, que buscam avançar na economia do conhecimento.